Bendito playback, maldito playback

Quem nunca teve que cantar uma música de última hora e, depois de procurar as várias opções no porta-cds  (ou arquivos de mp3), encontrou a canção certa para o momento? Bendito playback.

Quem nunca teve vontade de cantar a canção tal do cantor fulano, e como não tinha instrumentistas à mão, recorreu ao playback – só apertou um botão e pronto? Bendito playback.

Quem nunca foi à uma igreja humilde, que antes “puxava” os hinos acapella (sim, “puxava” pra baixo!) e depois viu o progresso da música congregacional com cd do hinário, levando os irmãos a cantar com um pouco mais de alegria? Bendito playback.

Acontece que o playback dominou nossa música. Antigamente, as igrejas adventistas tinham pelo menos um piano. Bem, agora eles estão num canto, desafinados, e os pianistas sentados nos bancos, sendo corroídos por ferrugem.

Onde estão nossos instrumentistas? Onde estão os instrumentos? Imagino um bando de teclados, violões, violinos, flautas, trompetes, clarinetes, baixos e guitarras, tristes e lamuriosos num canto dizendo: “Ninguém precisa de nós. Eles têm o playback”.

A praticidade do playback roubou a beleza e espontaneidade da música instrumental ao vivo em nossas igrejas. “Pra que ensaiar uma banda/orquestra se posso apenas apertar um botão?”, pensa a maioria. E é essa mecanicidade que tem tomado conta de nossos momentos de louvor congregacional e das apresentações musicais especiais. Maldito playback.

Pior ainda é quando o playback não apenas tira a participação dos instrumentistas, mas também dos cantores e, por conseguinte, de toda a igreja. Cantar músicas congregacionais com “gente cantando no fundo” já virou costume – mas essa deveria ser uma ferramenta para a minoria que não dispõe de outros recursos, não um padrão para todas as igrejas.

Entenda-me: não estou dizendo que não podemos usar o playback. Mas estou tentando colocá-lo em seu devido lugar.  Há uma recomendação: “Nas reuniões realizadas, escolham-se alguns para tomar parte no serviço de canto. E seja este acompanhado de instrumentos de música habilmente tocados” (Ellen White, Evangelismo, pág. 507).

Abaixo estão algumas das razões que julgo fundamentais para o uso da música instrumental ao vivo em nossos cultos:

ADEQUAÇÃO AO MOMENTO – Dependendo do clima do culto, do momento, a mesma música pode ser cantada com energia ou leveza. Essa flexibilidade só é permitida com os instrumentos ao vivo, não com playback. [Dentro dessa flexibilidade incluo a possibilidade de se repetir mais uma vez o coro, dependendo do clima criado pela música, por exemplo]

ENVOLVIMENTO DOS PARTICIPANTESNuma pesquisa realizada recentemente com os jovens adventistas da América do Sul, constatou-se que o segundo fator que mais mantém os jovens na igreja é a música. Sim, a música. Quando há música instrumental nas igrejas, os jovens envolvem-se nos treinos particulares, nos ensaios em grupo, nas apresentações. Enquanto se mantém ocupados, eles também vão tendo suas mentes “impregnadas” com as mensagens das músicas que tocam. Essa era uma das técnicas de Moisés com os filhos de Israel. Veja o que Ellen White escreveu:

“Moisés orientou os israelitas a porem as palavras da lei em música. Enquanto os filhos mais velhos tocavam instrumentos, os mais novos marchavam cantando em concerto o canto dos mandamentos de Deus. Em anos posteriores eles conservavam na memória as palavras da lei que haviam aprendido…” Ellen White (Evangelismo, pág. 499-500)

CULTO MAIS INTERESSANTE – Não há dúvidas de que um culto com música ao vivo é mais atraente. Os membros se sentem mais motivados a chegar cedo no culto [ou mesmo ir ao culto] quando a música é de qualidade, tem preparo, e eleva. Ellen White escreveu:

“O emprego de instrumentos de música não é de modo algum objetável. Os mesmos eram usados nos cultos nos tempos antigos. Os adoradores louvavam a Deus com harpa e com címbalos, e a música deve ter seu lugar em nossos cultos. Isto acrescentará o interesse nos mesmos.” (Evangelismo, pág. 150)

ALEGRIA– Uma das maneiras mais perfeitas para expressão da alegria da salvação é a música. E a música instrumental ao vivo, não enlatada, não pré-determinada, permite a condução do louvor com alegria, espírito real de adoração. Ellen White expressou esse entusiasmo:

“Alegro-me de ouvir os instrumentos de música que tendes aqui. Deus quer que os tenhamos. Quer que O louvemos, de alma e coração e com a nossa voz, engrandecendo Seu nome perante o mundo.” (Evangelismo, pág. 503 e 504)

GLÓRIA AO NOME DE DEUS. A música organizada glorifica o nome de Deus

“A música pode ser um grande poder para o bem; contudo não tiramos o máximo proveito desta parte do culto. O cântico é geralmente originado do impulso ou para atender casos especiais, e em outras vezes os que cantam o fazem mal, e a música perde o devido efeito sobre a mente dos presentes. A música deve possuir beleza, poder e faculdade de comover. Ergam-se as vozes em cânticos de louvor e adoração. Que haja auxílio, se possível, de instrumentos musicais, e a gloriosa harmonia suba a Deus em oferta aceitável. (Evangelismo, pág. 505)

Por ocasião da dedicação do templo de Salomão, a glória do Senhor encheu o templo. Com certeza a música instrumental daquele momento honrou o Senhor:

“O sagrado coro uniu suas vozes com toda espécie de instrumentos musicais, em louvor a Deus. Enquanto as vozes, em harmonia com os instrumentos musicais, ressoavam através do templo e eram levadas pelos ares através de Jerusalém, a nuvem da glória de Deus tomava posse da casa, como outrora havia enchido o tabernáculo. ‘A casa se encheu duma nuvem, a saber, a casa do Senhor. E não podiam os sacerdotes ter-se em pé, para ministrar, por causa da nuvem, porque a glória do Senhor encheu a casa de Deus’” II Crôn. 5:13 e 14 (Ellen White, História da Redenção, pág. 194).

[por Daniel Lüdtke]

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9 Respostas para “Bendito playback, maldito playback

  1. Pr. Daniel, algo que eu vejo muito acontecer, pelo menos na minha igreja (Central do Tabuleiro – Maceió/AL) é que muitos irmãos se sentem incomodados com a presença de alguns instrumentos, principalmente quando estão relacionados com a percussão, porém, usando o Quarteto Arautos do Rei como exemplo, podemos ouvir o som de bateria de uma forma até “pesada” como na música Prefixo do CD Vale a Pena esperar, e nem por isso, quando tocado na igreja, os tais irmãos não expressão reação nenhuma. Será que os olhos de alguns estão mais aguçados que os ouvidos? Alguns instrumentos são realmente discriminados (ao vivo)?

  2. Deveria haver um modo de incentivar os jovens a aprender a tocar instrumentos no lugar do rotineiro playback, a música parece tocar mais profundamente, traz uma harmonia e um incentivo a louvar sem igual!! Canto, e sinto falta da música ao vivo!

  3. Pr. Daniel, muito bom o artigo sobre playback, realmente resume o quadro atual da música tocada em nossas igrejas, penso que cabe aos diretores de música das igrejas buscar mudar esse quadro, como exemplo posso citar as ações que a direção de música tem procurado fazer na IASD Liberdade, em Salvador/BA. Além de trazer de volta o Coral da igreja, que hoje conta com cerca de 17 homens e 20 mulheres (quem cuida de coral sabe como esses números são expressivos!) também lançou o projeto para compra de um piano elétrico, além de sempre divulgar aulas de violão, violino e outros instrumentos para a igreja. São ações como essa que poderão revitalizar a música instrumental nas igrejas. Forte abraço.

  4. Que MARAVILHA. Foi lindo ler esse post. Esse ano iremos praticar mais louvor e expressar adoração e gratidão a Deus. Estaremos ensinando e aprendendo com o poder celestial da música. Obrigado pelo post, pastor! Deu-me mais forças ainda e já indiquei a diretora jovem 😀

  5. Muito bom o artigo! Com certeza temos perdido muito com o uso constante do playback, porém posso afirmar que solução para que voltemos a usar nossos instrumentos não é em liberar e organizar maior participação instrumental na igreja, porque estão cada vez mais escassos os instrumentos nas igrejas. Digo isso porque sou professor e líder de um projeto de ensino de instrumentos musicais voltados para a igreja. O que observo é que falta incentivo estrutural e principalmente financeiro das lideranças da igreja para melhorar este quesito, e não apenas a falta de incentivo com a palavra.
    Mas com certeza, iniciativas como essas abordadas neste artigo já um ótimo começo para aperfeiçoar o nosso louvor e adoração.

  6. Pr Daniel, muito bom esse artigo. Na minha igreja (IASD Cinturão Verde – Boa Vista – RR) fazemos musica ao vivo (violão, violino, baixo e em ocasiões especiais teclado). Mas agradecemos a Deus e ao apoio da maioria dos irmãos da nossa igreja, inclusive os cantores que sempre pedem para os instrumentistas tocar as musicas especiais tbm, chega a ter culto que todas as musica são ao vivo incluindo as especiais. Agradecemos muito a Deus por isso, pq o nosso louvor é uma grande benção.

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